RÁDIO WEB CEDEPPE

História, Arte, Comunicação e Gestão

Pedimos sua atenção para este vídeo.

FRASE DO DIA

O homem que lisonjeia o seu próximo arma uma rede aos seus passos.

Provérbios


Ouça a Rádio CEDEPPE em seu computador, com os aplicativos:

Winamp, iTunes   Windows Media Player   Real Player   QuickTime 

Associe-se => AQUI

Pense em associar o seu local de trabalho pois as empresas associadas e seus funcionários têm à sua disposição uma série de benefícios que contribuirão para o fortalecimento de seus negócios.

Entre eles destacam-se :

  • Para os associados Pessoas Físicas, grande aumento de visibilidade e empregabilidade. Veja algumas AQUI.
  • Para associados Pessoas Jurídicas, geração de negócios através de REPRESENTAÇÃO e um braço forte em organização gerencial e operacional. Associe no Formulário colocado AQUI.
  • Inclusão na comunidade  CEDEPPE/ORGPLURAL, possibilitando o intercâmbio de informações de oportunidades;
  • Divulgação facilitada e segura para as melhores empresas
  • Gerenciamento de Projetos por profissionais certificados e de alta competência
  • Assessoria personalizada em Web / Banco de Dados
  • Assessoria Jurídica para consultas e pareceres de interesse geral. Condições especiais para a contratação de escritório jurídico especializado em comércio, tributação, temas trabalhistas, de segurança ocupacional e de comércio exterior. 


Biodança e o Idoso

Este trabalho é parte de uma tendência nacional e atua com os profissionais da 3ª Idade
 
Introdução
 
O homem é o mais fraco entre os animais de seu porte. Portanto, para sobreviver a um ambiente hostil criou a civilização, iniciando a história da repressão de seus impulsos mais básicos. A história da civilização coincide com o afastamento do homem de seu âmago, de seu próprio corpo, prazer e desejos e com seu afastamento da espécie. A dissociação corpo e alma, espírito e matéria iniciada pelos gregos a partir de Parmênides e fortalecida pelo dualismo cartesiano marca todo o pensamento e define os valores ocidentais. Esse dualismo foi ainda sedimentado pela cultura judaico-cristã que, pregando a supremacia do espírito tornou o corpo, os sentidos e o prazer, objetos de maldição.
Na pessoa idosa a dissociação corpo-alma, é ainda muito mais acentuada, por toda uma vida de negação do seu corpo, sendo ele símbolo do “pecado”. Neste universo de fragmentação, iniciou-se o trabalho da Biodança com a terceira idade objetivando resgatar as funções originárias da vida. Não obstante as limitações pessoais próprias de um corpo que vivia em completa imobilidade, o trabalho de Biodança foi evoluindo e constatando-se que o limite cronológico não condiz muito com a condição do ser humano enquanto entidade em desenvolvimento e crescimento constante, uma vez que o desafio da existência não tem idade.
O corpo é a unidade de que dispomos quando nos movimentamos, agimos, sentimos e quando nos relacionamos com outros seres no mundo, de acordo com um tempo e espaço que, limitado ou facilitado pelas nossas propriedades psicomotoras, permite que vivenciemos a nossa unidade pessoal, isto é, somos “pessoas” e não apenas “indivíduos”, porque temos nosso tempo e porque ocupamos nosso espaço. O ser humano é um ser temporal. Ele tem um tempo de experiência de vida, de convivência, de transcendência. Um tempo que se relaciona ao sentir e ao fazer. Porém, condicionados ao longo de nossa história pessoal, compreendemos nosso tempo e nosso espaço através dos conceitos generalizados das condições das “idades”. Assim, percebemos e entendemos o mundo de acordo com as normas ou esteriótipos que socialmente pré-determinam cada idade: idade da meninice, idade da adolescência, idade da juventude, idade do adulto e idade do idoso. Idades que, conceitualmente ou através de diferentes pressupostos, limitam o espaço da pessoa em relação às suas inúmeras possibilidades inclusive as psicomotoras.
Não se pretende desconsiderar a programação genética a que todo ser humano está exposto, a proposta da Biodança é facilitar o desenvolvimento das pessoas na sua essência verdadeira de homem, capaz de criar, de amar, de viver em contato consigo mesmo, com outras pessoas e com a natureza, e ainda reeducar o seu esquema corporal, para que aceitem esse novo corpo que tem dentro do corpo que está envelhecendo.
O idoso geralmente projeta seus sonhos não mais para si, mas para os filhos, netos e bisnetos e, neste processo reeducacional, procura-se reintegrar a pessoa madura na redescoberta de seu espaço, fazendo emergir através das experiências vivenciais as possibilidades que criativamente estão fora de preconceitos. O que se busca através da Biodança é devolver às pessoas a coragem de viver, através do trabalho educacional e reeducacional.
Muitas vezes, percebe-se o idoso se colocando na posição de vítima, que vai em busca de quem o proteja ou de déspota que quer mandar em tudo. Nos dois casos, há um retorno aos níveis primários de desenvolvimento, como uma forma do indivíduo auto-proteger-se contra o meio que lhe parece hostil.
 
Desenvolvimento
 
A Biodança tem uma base epistemológica e filosófica. Seu maior referencial é o “princípio Biocêntrico”, é o que a distingue de outras concepções e é o que constrói todo o seu trabalho. O Princípio Biocêntrico inspira-se nas leis universais que conservam os sistemas viventes e fazem possível sua evolução. Tudo o que existe na natureza compõe um sistema maior. Segundo TORO (1983):
 
  “Nossas vidas não estão lançadas ao azar, como meteoritos ardendo no espaço côncavo. Nossas vidas surgem da sabedoria milenar do grande pulsador de vida, do útero cósmico, que se nutre e respira nas afinidades e no amor dos elementos. Na luz de origem, na enxurrada paradisíaca da realidade, nós nos buscamos uns aos outros.”
 
Ao atingir os 40 anos de idade, o brasileiro passa a ter as portas do mercado de trabalho fechadas e pouco acesso aos vários meios de expressão. Uma atitude que não encontra mais uma justificativa plausível, pois é nessa idade que o ser humano passa a dar vazão à sabedoria acumulada na primeira metade produtiva de sua vida. À medida em que o tempo passa, essa sabedoria vai se apurando, como o indivíduo se despindo de alguns condicionamentos que, de certa forma, interferem na sua vida e o impediam de ver a essencialidade das coisas.
Há sociedades que tem a percepção do valor encerrado numa mente sedimentada na sabedoria dos anos. Estas não se esquecem de colocar o velho numa posição que lhe possibilite canalizar sua experiência vivida para o serviço da comunidade. Por isso é que são sociedades sábias, equilibradas. No Brasil, contudo, a realidade nos mostra que o hedonismo que se espraia como valor supremo da sociedade moderna impõe a ditadura da forma. Só o que o aparenta força, exuberância e juventude constituem-se em veículos de expressão de uma competência inquestionável. Chegar à velhice pode significar fossilizar-se, perder a sintonia com as forças motrizes do progresso.
Buscando a ressignificação deste conceito através do resgate da força motriz iniciou-se o processo de formação dos grupos. Durante o período de formação dos grupos e realização das entrevistas individuais, foi percebido o universo de desejos fragmentados, de frustrações, de sentimentos de impotência e de imobilidade. Os idosos, geralmente, projetam seus sonhos não mais para si e sim, para os filhos, netos, sobrinhos e bisnetos. Sentem-se, na maioria das vezes, excluídos do trabalho, da família, dos amigos, embora se percebam, em muitos casos, em plenas condições para o mercado de trabalho que os descartou. Esta situação fica clara nas palavras de MIRA Y LOPEZ (1981):
 
 “Não se compreende os legisladores julguem que com a idade, o desgaste e a deficiência de indivíduos diminuam as aptidões necessárias para o rendimento satisfatório ao trabalho quando se despede o porteiro, o ascensorista ou o datilógrafo, o secretário ou qualquer outro funcionário de empresa e não se faça o mesmo com o chefe. Não se compreende que após os 60 e 65 anos um homem não possa ser professor, mas possa ser ministro da educação ou chefe de uma nação.
 
A população dos três grupos foi constituída, na sua maioria, por viúvas, viúvos, divorciadas e senhoras que nunca casaram. Foi percebido que os homens sofrem mais com a aposentadoria que as mulheres, que se ligam ao lar como forma de preencher o tempo, enquanto os homens ficam mais ociosos, geralmente diante da televisão. Tendo apresentado sintomas de depressão. Nas mulheres, os sintomas mais freqüentes estavam relacionados ao sistema locomotor e circulatório.
 
As sessões de Biodança
 
O processo evolutivo dos indivíduos, segundo TORO (1988), depende do desenvolvimento das funções afetivas. Partindo-se desta premissa se estruturou os grupos pela linha da afetividade a fim de resgatar o potencial afetivo do grupo. Progressivamente, foram sendo introduzidos exercícios que pudessem restabelecer o equilíbrio, a coragem, a vontade de viver, de brincar, de sorrir.
As sessões de Biodança passaram a ser o local para o desabafo, para o acolhimento, para dar e receber carinho. Durantes os três primeiros meses de trabalho, no espaço reservado à “intimidade verbal” não se fazia referência às vivências em Biodança, mas às dores físicas e emocionais, às medicações, à família, aos problemas de modo geral, como na fala de uma das participantes: “Hoje eu descobri que tinha pé... quando eu vinha para cá, estava andando e sentindo o meu pé no chão, me lembrei que vocês nos ensina a andar, então pensei – a Biodança está entrando em mim...
A descoberta do corpo, também oi evidenciada, no desabafo emocionado, de uma outra senhora, onde se via claramente, através do brilho daqueles olhos, o poder transformador da biodança. Assim falou:
 
 “Nunca tinha reparado no meu corpo. Fui casada durante 30 anos e nunca dormi com meu marido. Ele só ia pra cama ‘naqueles momentos’, quando terminava ia pra rede e eu ficava só. Agora eu vou tomar banho e acho bom ficar tocando meu corpo...”
 
A partir de então, acabaram-se as queixas e, na intimidade verbal se fala da vivência anterior. Os trabalhos foram realizados a partir das linhas de vivências propostas no modelo teórico da Biodança: VITALIDADE, SEXUALIDADE, CRIATIVIDADE, AFETIVIDADE E TRANSCENDÊNCIA.
Quanto à vitalidade, percebeu-se que a grande maioria dos integrantes do grupo apresentava saúde debilitada, com movimentos robotizados e dissociados. Durante os exercícios havia uma tendência à expressão oral, havendo muitos risos e, aos poucos, o ímpeto vital foi se incorporando ao grupo de modo geral.
A Linha da sexualidade foi trabalhada de forma muito cuidadosa, enfatizando o prazer corporal, ampliando-o em todos os níveis: prazer em viver, prazer em satisfazer necessidades como fome, sede, descanso.
Para MAY (1991), a criatividade é a manifestação básica de um homem realizando o seu eu no mundo. Por ser um fenômeno renovador que permite a evolução de tendências artísticas pode estar presente em tudo o que realizamos. O exercício da criatividade envolve o belo e a emoção, sendo inerente ao ser humano e tendo como expressão básica o movimento. Nos grupos de terceira idade, a linha da criatividade fluiu sensivelmente e demonstraram todo o poder de intuição e criação. A partir desta linha, foram entrando em contato com a aposentadoria e encontrando novas maneiras de vivenciar este processo.
Com relação à afetividade, percebe-se que o ser humano é gregário por natureza. Procura grupos onde possa se inserir, se associar, sendo uma de suas necessidades básicas, conforme MASLOW, pertencer, fazer parte. O trabalho de Biodança nos grupos de terceira idade enfatiza a linha da afetividade por acreditar que, através do contato com o próprio sentimento, cada um chegará mais próximo do que realmente é.
As vivências em Transcendência, no entanto, levam os grupos à harmonização, abrem as portas da percepção para outros canais de energia, integram o homem ao Cosmo.
Neste processo de construção de si mesmo, a partir das linhas de vivências em Biodança, o grupo foi se descobrindo e se redescobrindo, se encontrando e se encantando e assim, percebendo que não há idade para a construção.
 
Considerações Finais
 
Este trabalho, fruto de uma vivência em Biodança com idosos, nos leva a constatar que a aventura humana ultrapassa os limites da nossa compreensão. A utilização da Biodança na terceira idade é desafiadora, apresenta alguns limites, considerando que, além de se fazer um trabalho visando estender as possibilidades de crescimento pessoal, deve ser feito o trabalho de resgate do idoso ao mundo. No entanto, a Biodança se apresenta enquanto instrumento facilitador de muitos processos de inserção ou reinserção deste idoso na sociedade, considerando o trabalho da mesma com linhas de vivências, como criatividade, vitalidade e afetividade, além de sexualidade e transcendência.
É imperativo criar espaços de convivência social adaptável à população da 3ª idade, pois a limitações biológicas causadas pelo processo de envelhecimento implicam, quando não assistidas, no envelhecimento psicológico que se apresenta sob diversos males, entre eles, a solidão, o desamor, que culminam na perda da própria identidade. Assim, a velhice precisa ser pensada numa perspectiva social e, não apenas como um fato biológico.
Sugere-se que as organizações repensem a sua forma de aposentadoria, preparando as pessoas para este momento e incluindo as famílias dentro do processo de preparação, orientando-as para um novo projeto de vida.
Faz-se necessário acreditar no idoso. Os trabalhos em Biodança mostraram, com muita profundidade, a sua capacidade criativa, intuitiva e, ainda, a necessidade de mostrar a sua experiência.
           
Referência de Auoia
Textos de Biodança. Organizador – Cézar Wagner de Lima Góis. Escola nordestina de Biodança: Fortaleza, 1983.
(*) Maria do Rozário Oliveira Psicóloga com Formação em Biodança Especialista em Administração de Recursos Humanos
 
Referências Bibliográficas
MASLOW, A. H. Introdução à Psicologia do Ser. 2.ed. Rio de Janeiro: Eldorado, s/d.
MAY, Rollo. O homem à procura de si mesmo. Ed. Vozes: Petrópolis, 1991.
 
MIRA y LOPES. A arte de envelhecer. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1981.
 
TORO, Rolando. Projeto Minotauro: Biodança. Ed. Vozes Limitada: Petrópolis, 1988.


Voltar ao Topo